Somos feitos para a imortalidade

Somos feitos para a imortalidade, mas aparentemente a imortalidade parece ser inatingível. 

Caso nosso fim seja simplesmente sumir, apagar, desaparecer no vácuo de um vazio eterno e sem significado, então só nos resta o desespero, a náusea sartriana diante da finitude.

“Se eu soubesse o que há além do fim, talvez encontrasse sentido pra mim”. Esse trecho da música “Se eu me encontrar” aponta para o fato de que nossas crenças a respeito da morte ditam a maneira como vivemos. 

Se o que existe depois do fim é apenas o não-ser eterno, então temos que aproveitar o momento, pois ele é tudo o que nos resta. O melhor a fazer é nos entregarmos numa experiência existencial hedonista para tentarmos aplacar a dor, a angústia e o desespero da vida que se esvai implacavelmente por entre nossos dedos. Independemente do preço a ser pago no final das contas, se a eternidade não for uma possibilidade real, então não há razão para preocupações com consequências. Vale tudo, tudo mesmo!

O problema é que, se somos feitos para a eternidade, nada do que é temporal será capaz de nos suprir. Seremos vorazes devoradores de experiências passageiras incapazes de fornecer sentido para a vida. 

Temos uma conta que não fecha: de um lado esta o nosso coração que clama por imortalidade e do outro estão as respostas temporais que tentamos dar para essa questão. Soluções finitas jamais preencherão nossa sede pelo infinito. Como muito bem colocou C.S. Lewis, “Se eu encontro em mim um desejo que nenhuma experiência neste mundo pode satisfazer, a explicação mais provável é que eu fui feito para outro mundo”.

O que fazer?

Temos que transcender, superar as propostas humanas. Pela lógica, somente o que é Eterno pode nos tornar eternos também, apenas uma divindade imortal pode nos conduzir para a imortalidade. 

Agora pense no que você é incapaz de viver sem. Pense naquilo que só de pensar em perder você já se sente esmagado pelo desespero. Esse é o seu Deus. O seu Deus da conta da tua sede por imortalidade?